Como uma seguradora avalia uma MGA antes de conceder capacidade
Governança, dados de sinistralidade e limites: o checklist que decide uma negociação de capacidade — e como se preparar para ela.
Toda MGA começa a existir no dia em que uma seguradora assina a carta de autoridade. Antes disso, existe apenas uma tese. E o que separa uma tese aprovada de uma recusada quase nunca é o nicho — é o quanto a operação consegue provar que sabe se governar.
A avaliação é mais previsível do que parece. Depois de algumas dessas conversas, o checklist é sempre o mesmo.
1. Quem subscreve, e com que histórico
A primeira pergunta é sobre a pessoa. Quantos anos naquela linha específica, em que carteiras, com que resultado. A seguradora está avaliando julgamento técnico, e julgamento técnico não se demonstra em apresentação — se demonstra em histórico verificável de sinistralidade.
2. Dados: o que existe e o que é suposição
Em seguida vêm os números. Se há carteira em operação, a seguradora quer sinistralidade por safra, frequência, severidade e desenvolvimento de reserva. Se não há, quer a fonte de cada premissa do plano — e trata como risco tudo o que vier sem origem.
Uma premissa sem fonte não é um número. É uma opinião com casas decimais.
3. Governança e alçadas
Aqui a conversa muda de tom. Não basta dizer que há disciplina; é preciso mostrar o mecanismo: apetite escrito, alçadas por nível, comitê técnico com cadência, trilha de auditoria para cada decisão fora do padrão. É exatamente o que tratamos em governança como condição de escala.
- Apetite documentado — o que entra e o que não entra, antes da primeira cotação.
- Limites e referral — o que a MGA decide sozinha e o que sobe para a seguradora.
- Revisão de preço — com que frequência a premissa é comparada ao realizado.
- Auditoria — como a seguradora vai conferir tudo isso daqui a doze meses.
4. Operação: emissão, prestação de contas e sinistros
Uma MGA que não consegue emitir no prazo, fechar borderô no dia certo e avisar sinistro com dados completos gera custo operacional para a seguradora — e isso entra na conta antes da margem técnica. Tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito.
5. Estrutura econômica e capital
Por último, a seguradora olha a economia: comissão, comissão de performance, repasse ao canal e quem financia a operação até o ponto de equilíbrio. Um programa subcapitalizado é um risco de continuidade, e risco de continuidade pesa mais que projeção otimista.
Onde uma plataforma muda a conversa
Três dos cinco pontos — governança, operação e capital — não dependem do subscritor. Dependem da estrutura em volta dele. É por isso que um programa que entra por uma plataforma chega à mesa com metade do checklist já respondida: a governança é a mesma para todas as MGAs da casa, a plataforma é a mesma, e o capital de estruturação já está aportado.
O subscritor responde pelo que só ele pode responder: apetite, disciplina técnica e rede. Veja as MGAs que já operam sobre essa base — ou comece uma conversa sobre o seu programa.
Metade do checklist já está construída. A outra metade é sua.